sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

nothingman



Querida pikuka,

Se estás a ler isto, é porque eu tive coragem de o escrever. Bom para mim, ah? Conheces-me muito bem, mas se me deixares continuar tenho tendência de falar que tenho dificuldade em escrever. Mas isto...é a coisa mais difícil que já tive que escrever. Não há maneira fácil de o dizer, portanto vou dizê-lo logo. Conheci uma pessoa. Foi um acidente, eu não estava à procura. Foi uma tempestade perfeita. Ela disse algo, eu também. Quando dei por mim, queria passar o resto da minha vida nessa conversa. Agora estou com a intuição que ela pode ser a mulher certa. Ela é completamente a minha cara, docemente a forma como eu vejo o mundo. Existe uma grande quantidade de renovação nisto. Ela és tu, pikukinha. Essa é a boa notícia. A má é que eu não sei como ficar contigo neste momento. E isso assusta-me pra caralho. Porque se não ficar contigo agora, sinto que nos perderemos. O mundo é grande, mau, cheio de reviravoltas. As pessoas costumam piscar os olhos e já estão a perder um momento. O momento que poderia mudar tudo. Não sei o que está a acontecer entre nós, e porque deverias gastar o teu tempo comigo. Mas como o teu cheiro é bom! Como o lar. E és uma boa e dedicada cozinheira, isso tem que valer algo, certo? Liga-me.

O teu, Zezé

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

eu também, pintainha



It was the year
I crashed my motor bike
I think it was the summer
I think you whispered

When you gonna wake up?
When you gonna wake up?

Dear
Slip these on your tongue
Let us see it's a reinvention
In angels hands, the medicine, a modern man

Wait now
Tell me that this isn't over
Hang on
Just long enough

If this is heaven
Or if it's just a warning
Say you will stay with me
Even if it's just til' morning

If this is over
Then why is it so hard?
Just say you will stay with me
One more night

Stay here
And we can start again
And we can be made over
You'll hear us shouting

When you gonna wake up?
When you gonna wake up?

Scared
Well everyone gets scared
Just signal when your ready
And angels hands seem so steady
Seem so steady

Wait now
Tell me that this isn't over
Hang on
Just long enough

If this is heaven
Or if it's just a warning
Say you will stay with me
Even if it's just til' morning

If this is over
Then why is it so hard?
Just say you will stay with me
One more night

If your running
From your secrets
I will make you take them with you
I am ready
I can take it
You don't have to carry them alone
There's a way out
If you want it
To an end or a new beginning

You just have to find it on your own

If this is heaven
Or if it's just a warning
Say you will stay with me

If this is over
Then why is it so hard?
Just say you will stay with me
One more night

One more night
One more night
One more night
(even if its just til' morning)

One more night
One more night
One more night
(even if its just til' morning)

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

o velho e a paragem de autocarro



Enquanto fazia o meu trajecto faculdade-casa, já de noite, reparei num homem, em pé, quase perfeitamente encostado a um dos lados de uma paragem de autocarro. O olhar dele tão fixo em mim fez-me parar. Perguntei-lhe o que fazia ali e respondeu-me que esperava o autocarro. Senti-me estúpido, procurei a censura previsível no seu rosto mas não a encontrei. Já ali estava há duas horas, sempre o mesmo ritual, sempre o mesmo sítio e eu nunca o tinha visto. Estacionei o carro mais à frente e saí para lhe fazer companhia. Assim que me sentei na paragem começou a falar:


- Não devias estar aí sentado. Sabes, este autocarro de que estou à espera, não vem. Hoje espero apenas para que não venha. Já transportou muitos passageiros esta ilusão. O destino não é sempre o mesmo. Estive a informar-me e acho que o meu não é o de hoje. Mas seja como for, tenho que esperar todos os dias a sua chegada. Só temos uma oportunidade de viajar, meu amigo. Não quero perder a viagem e ficar preso nesta dimensão para sempre, um espectro sepultado na finitude humana. Ouvi dizer que nestes dias que correm já não há muitos passageiros. Antigamente havia filas nas paragens. Parece que as pessoas deixaram de acreditar. São fantasias, não é? Cada um de vós acha que é a única pessoa sã no mundo, os outros estão todos loucos. Cegam-se uns aos outros com adquiridas necessidades de provas. Deixaram de ver que não precisam de ver com os próprios olhos a menos que queiram deixar-se enganar. Esqueceram que têm o dom inato de, com a mais profunda loucura do ser, descobrir a verdade. A normalidade é a cegueira. As almas transformaram-se em fantasmas de pano que as mães, protectoras, destapam para que se acabe com o medo das crianças, deixando-as crescer atrofiadas. É verdade que debaixo do pano está o fantasma mas como é invisível, apenas sensível, a criança vai ganhando afeição à mentira e à anormal anormalidade da mãe. O armário dos remédios estava cheio mas era apenas para o pai e esse já apanhou o autocarro há muito tempo. Podes contar esta nossa conversa amanhã aos teus colegas do trabalho, experimenta. Eles dir-te-ão que estás irremediavelmente louco, não há remédio que te valha. Já nada surpreende nestes dias que correm, já trataram de o prevenir com todas as catalogações. Se me é permitido um conselho, não te sentes no banco da paragem. Levanta-te, fica em pé, aqui ao meu lado. Assegura-te que o autocarro te sente pronto para a viagem, para a salvação. Nós, os banidos, os invisíveis, precisamos tanto quanto vocês de ser levados pela alucinação até ao nosso destino. Não tenham medo de se atirarem da falésia para o mar. Ou tenham, mas façam-no e sintam o coração a bater e ele virá para vos buscar. Acabem com a vossa deambulação pelas estradas perdidas e deixem-se conduzir. A mente livre está ao volante e não há regras de trânsito.


Sorriu para os meus olhos vermelhos totalmente abertos com todas as forças do meu rosto e perante eles desapareceu.

Não questionei a minha sorte, voltei para o meu carro, pus a primeira e arranquei para casa.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

não me parece


I've got another confession to make
I'm your fool
Everyone's got their chains to break
Holdin' you

Were you born to resist, or be abused?

Is someone getting the best
The best, the best, the best of you?
Is someone getting the best
The best, the best, the best of you?

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

familiar landscapes




I am drunk off your kiss,
For another night in a row.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

paradoxos





Sócrates e Alcibíades roçaram-no. Platão foi mais longe. Puro e desprovido de paixões. Elemento sexual abstraído. Caso de amizade pura. Não se toca. Não se envolve.

Revisto-te de todas as fantasias e ideais.Centro-me na beleza do teu caráter. Na tua inteligência. É platónico. É perfeito.



Hoje sinto-me eu mesmo.

sábado, 24 de Outubro de 2009

eu seria um elefante, se

O esquecimento está tão cheio de memória
que às vezes não cabem as lembranças
e rancores precisam ser jogados pela borda


Mario Benedetti


Coisas que me fizeram que eu digo que esqueci são as primeiras de que me lembro.
Um sentimento que me deram e que se colou a mim que não me recordo qual era nunca deixei de sentir.
Tudo o que tranquei na cave todas as vezes se abre para mim quando um sinal sem consciência me lembra que há alguma coisa de que me esqueci. Há coisas que não cabem lá em baixo. Arrumar não me deixa mais espaço para as coisas novas que querem passar a velhas. Há coisas que à força tenho que lá deixar, o que faz com que outras surjam à porta depois de a fechar. Seja como for, o problema não é meu: é de todos quem eu não esqueci. Eles fizeram a minha cama, eu comprei lençóis especiais para agora fazer as deles. Afinal, eu não me esqueci. Acho que não me esqueci de ninguém.
Está lá tudo, no fundo, sabe-se.